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Como médicos podem construir um patrimônio sólido?

  • Foto do escritor: Contador de Médico
    Contador de Médico
  • 24 de nov. de 2025
  • 5 min de leitura

Por Thiago Amorim, Médico Anestesiologista, Especialista em Investimentos e Sócio-Fundador da MedFi


Quando eu me formei em medicina, em 2014, recebi o diploma com um misto de orgulho e incerteza, aquele mesmo sentimento que muitos de vocês provavelmente conhecem. A sensação de finalmente poder exercer a profissão dos sonhos vinha acompanhada do impacto de, pela primeira vez, lidar com renda real, decisões financeiras e uma responsabilidade que não nos ensinam na faculdade.


E é aí que começa o problema.


Nós, médicos, estudamos muito para cuidar de pessoas. Mas ninguém nos ensina a cuidar do nosso próprio dinheiro.


Não aprendemos sobre impostos, investimentos, planejamento financeiro, aposentadoria, renda variável, reserva de emergência… nada. E, de repente, saímos de uma renda praticamente zero para valores expressivos vindos de plantões e consultórios.


Sem preparo, muitos médicos repetem um padrão que vejo todos os dias: ganham bem, mas vivem mal financeiramente.


Neste conteúdo,  inspirado no webinar especial do Mês do Médico em conjunto com a Contador de médico, quero compartilhar com você o que eu gostaria de ter ouvido quando comecei, e o que ensino hoje para centenas de colegas que nos procuram na Medify.


Meu objetivo é simples: que você termine esse texto com uma mentalidade diferente da que tinha quando começou.


O mito do “médico rico” e a realidade que ninguém conta

Por muitos anos, ser médico era sinônimo de altíssima remuneração. Meu pai, médico do interior, ganhava na época cerca de R$ 10 mil quando o salário mínimo era algo em torno de R$ 200. Havia médicos que inclusive recebiam em dólar.


Mas o cenário mudou.


Hoje, o Brasil tem mais escolas médicas do que China e Estados Unidos somados. A tendência é chegarmos a mais de 1,3 milhão de médicos até 2035.

Mais profissionais no mercado.Mais competição.Mais pressão.Menor valorização individual.


E apesar de muitos ainda acreditarem que “médico é rico”, os números mostram outra história:

  • 34,6% dos médicos não poupam nada.

  • Apenas 22,9% poupam mais de 20% da renda, que seria o mínimo ideal.

  • A média de poupança mensal do médico brasileiro é baixíssima.

  • E milhares de colegas continuam trabalhando aos 60, 70 anos… não por amor, mas por necessidade.


Isso é consequência direta de dois fatores:

  1. Falta de educação financeira

  2. Ausência de planejamento


O resultado? Burnout, perda de qualidade de vida e uma aposentadoria que não chega nunca.

ser médico já não é suficiente.


Você precisa aprender a transformar sua renda atual em patrimônio, e isso começa com mentalidade.


O que fazer para perder dinheiro (e como evitar isso)

Como médicos, amamos fluxogramas. Então vou te contar o fluxo do fracasso financeiro, para você evitá-lo a qualquer custo:


1. Negar a importância do tema

“Depois eu vejo.”“Quando eu ganhar mais, eu resolvo.”

Se você pensa isso, já começou errado.


2. Gastar mais do que ganha

Quando você gasta mais do que recebe, precisa “alugar dinheiro” dos outros,ou seja, pagar juros. E isso te coloca em uma corrida para trás.


3. Não investir

Todo dinheiro parado perde poder de compra com o tempo. R$ 100 hoje compram muito menos do que há 15 anos.


4. Investir com alguém que não cobra para te orientar

Se o gerente ou assessor não cobra nada, é simples: você é o produto.

Os produtos oferecidos favorecem a instituição, não você.

Esse é um dos erros mais cometidos por médicos.


Os três pilares que eu gostaria de ter aprendido cedo

Se eu pudesse voltar para 2014, eu diria para mim mesmo:


1. Clareza de objetivos

Investir não é juntar dinheiro.Investir é construir patrimônio com propósito.

Pergunte-se:

  • Quando quero parar de trabalhar por obrigação?

  • Quero comprar um imóvel?

  • Viajar todo ano?

  • Construir reserva?

  • Ter filhos sem aperto financeiro?

Sem clareza, não existe planejamento.


2. Investir com eficiência

Para cada objetivo, você precisa de uma carteira.

  • Carteira para viagem

  • Carteira para imóvel

  • Carteira para aposentadoria

  • Carteira para independência financeira

Objetivos diferentes → investimentos diferentes.


3. Consistência

Criar o plano é fácil.A parte difícil é executar.

E aqui vai o maior segredo: pague o seu “boleto do futuro” no primeiro dia do mês.

A disciplina vale mais que a rentabilidade.


Os pilares técnicos que todo médico precisa dominar

Agora vamos para a parte prática, sem jargões e com foco no que realmente importa.


Reserva de emergência: o primeiro investimento do médico

Sem reserva, não existe segurança.Sem segurança, não existe planejamento de longo prazo.

A regra é simples:

  • Autônomos com dependentes: 12 meses de despesas essenciais

  • Residentes / jovens / concursados: 3 a 6 meses

E onde colocar essa reserva?Simples:

  • CDB de banco sólido que renda no mínimo 100% do CDI

  • Fundos DI

  • Tesouro Selic

  • Caixinhas do Nubank

  • CDBs com liquidez diária

Não complique.


Renda fixa: o melhor amigo do médico

Aqui está o que poucos têm coragem de dizer:

No Brasil, a renda fixa bate a Bolsa em praticamente todos os horizontes de 10 anos.

Sim, é isso mesmo.

Você empresta dinheiro para:

  • Governo (tesouro)

  • Bancos (CDB, LCI, LCA)

  • Empresas (debêntures, CRI, CRA)

Mas para médicos que buscam segurança, eficiência e simplicidade, o caminho é:

  • CDB 100% CDI

  • LCI/LCA (isentas de IR até agora)

  • Tesouro Selic

Simples, eficiente e sem risco excessivo.


Renda variável: quem deve e quem não deve investir

Aqui vai a frase que eu repito todos os dias:

A maioria dos médicos vai perder dinheiro na Bolsa.

Por quê?Porque não tem tempo.Não tem interesse.E não tem método.

Mais de 90% dos fundos de ações no Brasil perdem do Ibovespa.E o Ibovespa perde do CDI.

Se até gestores profissionais não vencem o mercado, por que você venceria?

Se for investir em renda variável, prefira:

  • ETFs do S&P 500

  • ETFs globais

  • Investimentos no exterior

  • Aportes de longo prazo

  • Estratégia clara

  • Sem tentar “acertar o timing”

E, sinceramente: se você está começando, fique só na renda fixa.


O que evitar a qualquer custo

  • Day trade

  • Swing trade

  • Opções

  • COE

  • Seguro resgatável

  • Debêntures de empresas desconhecidas

  • CRI e CRA sem orientação

  • Fundos multimercado com come-cotas

  • Fundo de ação (90% perdem do índice)

Esses são os investimentos que vemos todos os dias destruindo patrimônio de médicos.



O investimento que mais traz retorno para um médico

Não é CDB.Não é Bolsa.Não é imóvel.Não é dólar.

É investir em você.


Residência, especialização, marketing médico, estrutura de consultório, cursos, produtividade, carreira.


O retorno disso é infinitamente maior que o retorno financeiro de qualquer produto de investimento.


Mas, e aqui é o ponto, isso só funciona se você tiver:

  • Reserva

  • Planejamento

  • Disciplina

  • Organização financeira


Mensagem final: liberdade é a verdadeira riqueza

Quando falamos sobre finanças, não falamos sobre dinheiro. Falamos sobre escolhas.

Dinheiro não compra felicidade, mas compra tempo. E tempo é o que nos permite viver a vida com leveza, propósito e saúde.


Investir é sobre liberdade.Liberdade para escolher quando trabalhar.Como trabalhar.E, principalmente, quando parar.


Quer dar o próximo passo?

No webinar, deixei um presente para quem participou e quero reforçar aqui: uma consultoria estratégica gratuita com a Medify, incluindo:

  • Diagnóstico completo da sua vida financeira

  • Análise dos seus investimentos

  • Planejamento com simulação de Monte Carlo

  • Um plano de ação personalizado


Assista a gravação do Webinar a seguir e agende sua consultoria:


Se você chegou até aqui, espero que este artigo tenha mudado sua forma de enxergar dinheiro, como eu gostaria que tivessem mudado a minha lá atrás.

 
 
 

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