Confiança e saúde: o que o Relatório Brasileiro Edelman Trust Barometer 2026 revela
- 29 de jul.
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Vivemos em uma época em que nunca tivemos tanto acesso à informação sobre saúde. Em poucos segundos, qualquer pessoa consegue pesquisar sintomas, tratamentos, medicamentos e até opiniões sobre doenças complexas.
Essa realidade ficou evidente no Relatório Brasileiro Edelman Trust Barometer 2026 - Confiança e Saúde, que analisa como brasileiros e pessoas de outros 15 países percebem o ecossistema da saúde atualmente.
Os resultados vão além de estatísticas. Eles mostram um cenário que médicos, profissionais da saúde e pacientes já vivenciam diariamente: a confiança se tornou um dos ativos mais importantes dentro da assistência médica.
Vamos explorar os principais achados do estudo…
A confiança nunca foi tão importante na saúde
Quando pensamos em saúde, é comum imaginar tecnologia, medicamentos inovadores e avanços científicos. Porém, existe um elemento que continua sendo indispensável: a confiança entre profissional e paciente.
O relatório da Edelman reforça justamente esse ponto: a confiança não é mais apenas um aspecto subjetivo da relação médico-paciente e passou a ser um fator determinante para a saúde pública e para a tomada de decisões individuais.
O Brasil vive um cenário de polarização também quando o assunto é saúde
Um dos dados mais impactantes do estudo mostra que 71% dos brasileiros acreditam que o país está dividido em questões fundamentais relacionadas à saúde, sendo que aproximadamente 4 em cada 10 consideram essa divisão muito ou extremamente intensa.
Essa percepção acompanha um movimento observado mundialmente.
Isso significa que temas como vacinação, prevenção, tratamentos, políticas públicas e até recomendações médicas passaram a ser discutidos sob uma ótica muitas vezes ideológica ou emocional.
Essa polarização gera consequências importantes:
Aumento da desinformação;
Dificuldade na comunicação entre profissionais e pacientes;
Menor adesão a tratamentos;
Redução da confiança nas instituições de saúde.
Quando a saúde vira debate, a confiança diminui
Entre as pessoas que percebem o país dividido em temas de saúde, 52% afirmam que isso faz com que a população perca confiança no sistema de saúde.
Além disso:
45% acreditam que o governo perde credibilidade em assuntos relacionados à saúde;
44% dizem que essa situação faz com que pessoas sofram desnecessariamente.
Esses números mostram que a desinformação não afeta apenas opiniões, ela pode atrasar diagnósticos, reduzir a prevenção e comprometer diretamente os resultados clínicos.
A confiança na mídia ainda não voltou aos níveis anteriores à pandemia
Outro dado chama atenção: a confiança da população na mídia para divulgar informações corretas sobre saúde continua abaixo dos níveis registrados antes da pandemia de COVID-19.
No Brasil, houve uma queda de 13 pontos desde 2019 na confiança sobre a capacidade da mídia de reportar corretamente assuntos relacionados a doenças, prevenção e tratamentos.
Isso ajuda a explicar por que muitos pacientes hoje buscam informações em diferentes fontes antes mesmo da consulta médica.
O médico continua sendo a fonte mais confiável
Em meio a tantas mudanças, existe uma notícia bastante positiva.
Segundo o estudo, o médico continua sendo a pessoa em quem os brasileiros mais confiam quando o assunto é saúde.
O ranking nacional coloca como principais fontes de confiança:
Meu médico (79%)
Cientistas médicos e especialistas (78%)
Autoridades sanitárias globais (62%)
Em seguida aparecem amigos e familiares, CEOs, autoridades governamentais e jornalistas.
O que isso significa para médicos e clínicas?
Os dados do Edelman Trust Barometer trazem uma mensagem clara: a competência técnica continua sendo fundamental, mas ela precisa caminhar junto com uma comunicação transparente e humanizada.
Na prática, isso significa:
Dedicar tempo para explicar decisões clínicas;
Utilizar linguagem simples durante as consultas;
Combater informações falsas com evidências científicas;
Fortalecer o vínculo com o paciente;
Manter presença digital responsável e baseada em fontes confiáveis.
Hoje, muitos pacientes conhecem o médico primeiro pelas redes sociais, pelo site da clínica ou pelos conteúdos publicados na internet.
Por isso, produzir informação de qualidade tornou-se uma forma de construir autoridade e fortalecer relações de confiança.
Confiança também é um investimento na saúde
Talvez a principal conclusão do relatório seja justamente esta, que a confiança não é um detalhe da assistência médica.
Ela influencia prevenção, adesão ao tratamento, percepção de risco, escolhas individuais e até políticas públicas.
Os pacientes continuam buscando alguém capaz de traduzir a ciência em orientação segura, ética e personalizada, e isso dificilmente será substituído por algoritmos, redes sociais ou ferramentas digitais.
A tecnologia evolui rapidamente, mas a confiança continua sendo construída da mesma forma: por meio de conhecimento, transparência, empatia e relacionamento.
Confiança na saúde: o principal aprendizado do relatório
O Relatório Brasileiro Edelman Trust Barometer 2026 - Confiança e Saúde reforça que a saúde moderna enfrenta um desafio que vai além da evolução científica: reconstruir e fortalecer a confiança das pessoas.
Em um ambiente marcado por excesso de informações, polarização e mudanças na forma como os pacientes buscam conhecimento, médicos e instituições de saúde assumem um papel ainda mais estratégico como fontes confiáveis de orientação.




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